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Na semana passada a primeira morte de sarampo no Rio de Janeiro nos últimos 20 anos, foi também o registro do primeiro óbito em 2020 no Brasil. A doença estava erradicada até 2019, quando o país voltou a registrar a epidemia em alguns estados. Só no ano passado foram notificados 18.203 casos da doença no país, com 15 mortes —14 delas no estado de São Paulo e uma em Pernambuco. O estado paulista teve 88% dos casos (16.090).

Segundo o Ministério da Saúde, nove estados mantêm a transmissão ativa do vírus do sarampo e cinco já confirmaram casos da doença: São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Pernambuco.

O órgão retomou a Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo na última sexta-feira (10) com foco em pessoas de 5 a 19 anos, mas todas as pessoas entre 6 meses e 59 anos que não tiverem sido imunizadas ou não tenham tido sarampo anteriormente devem procurar os postos de vacinação.

A ação vai até o dia 13 de março na rede do Sistema Único de Saúde (SUS) de todo o país, mas as doses estão sempre disponíveis nos postos.

Mas qual a real gravidade da epidemia? Qual a importância e necessidade da vacinação? Para esclarecer estas e outras dúvidas em torno do sarampo e da sua imunização, o Brasil de Fato conversou com a médica da família, Nathália Neiva dos Santos. Confira a entrevista:

O que é o sarampo? Quais os sintomas da doença?

Sarampo é uma doença infeciosa causada por um vírus e se transmite quando a gente tosse, quando a gente fala e quando espirra. Esse vírus fica alojado nas gotículas respiratórias.

Ela tem essa característica de ser fácil de ser transmissível, então uma pessoa infectada consegue passar para outras pessoas e esse vírus, uma vez entrando no corpo,vai causar alguns sintomas, que são geralmente, a febre, que é uma característica das doenças infecciosas, uma certa irritação nos olhos, nariz escorrendo, mal estar.

Tem algumas características que são um pouco mais específicas do sarampo que são um tipo de manchas mais elevadas, que começam atrás das orelhas e se espalham pelo corpo, e também tem as manchinhas brancas no céu da boca, que são o Sinal de Koplik.

Como se previne o sarampo?

A prevenção que garante que a pessoa está bloqueada de não se infectar é a vacina. Existem outros modos de prevenção. Como o sarampo é transmitido por vias respiratórias, quando a gente tem medidas de higiene, de lavar as mãos, de fornecer álcool em gel para os estabelecimentos públicos onde circula muita gente, evitar circulação de muitas pessoas em ambientes fechados, também são formas de prevenção.

Qual é mais efetivo? Existe uma efetividade, quando você vacina aquela pessoa, está certificada de que ela vai ter uma imunidade para quando ela entrar em contato com o vírus, ela não se infectar e não manifestar a doença.

O sistema imunológico dela consegue responder ao mesmo tempo que essas gerais para a população como um todo, também ajuda a evitar a transmissão.

Quem pode se vacinar?

Essa campanha de agora, o público-alvo são as pessoas de 5 a 19 anos, que o Ministério da Saúde estabeleceu. Mas a vacina contra o sarampo está contida dentro da tríplice viral, que é feita a vacinação de três doenças e uma deles é um sarampo.

As crianças recebem, fora da campanha de vacinação, a primeira dose quando  tem um ano. Depois, quando ela tem um ano e três meses, é feita a segunda dose, que aí está contido dentro da tríplice viral. Então as crianças já estão recebendo há um tempo essa imunidade. 

Se a pessoa não conhece a situação vacinal dela, vamos supor que a pessoa perdeu o cartão de vacina, mudou de estado, que é bem comum, e não sabe dizer se já recebeu uma vacina de tríplice viral, então ela recebe uma dose para as pessoas acima de 29 anos para ficar prevenida contra o sarampo. 

Mas quando você sabe a sua situação vacinal e você já recebeu uma tríplice viral em algum momento e está fora da campanha, não tem que se preocupar para ser vacinado. Então não é uma campanha em massa para todas as idades, é para um público-alvo específico e quando você sai desse público-alvo a gente vai olhar a especifidade, perdeu cartão, não conhece a sua situação vacinal, você faz uma dose a partir dos 29 anos de idade.

Como se vacinar?

Pra você receber a vacina você tem que estar em mãos com um documento de identidade e carteira de vacinação, se a pessoa tiver essa carteira. Lembrando que o SUS é universal, então as pessoas não pagam para tomar vacina. É algo que é garantido pelo Estado e é direito do cidadão receber a imunização, que é a vacina nos postos de saúde e nos bairros.

Há uma fake news que fala que a vacina provoca outras doenças, existe alguma verdade nesse boato?
 

É uma coisa que tem acontecido mesmo de movimentos antivacina que tentam relacionar a vacinação com outras doenças. Por exemplo, há um tempo teve um estudo que foi feito de uma forma errada que dizia que a vacina podia causar um autismo nas pessoas. O que foi completamente errado naquele momento, mas que se gastou um tempo para desmentir. 

Então a gente precisa gastar um tempo nas discussões e nos alertas, não na perspectiva do medo, de que ela vai morrer, mas que as pessoas precisam ter consciência do por quê esta campanha, para que não se crie falsas notícias e também um medo excessivo de algo, como acontece com o coronavírus, que a pessoa não sabe o que é mas tem medo daquilo.

O processo de educação e saúde é a melhor forma de interromper esse processo de fake news que são estruturadas em processos que não existem e em evidências que são falsas. Não existe um trabalho que comprove, por exemplo, que populações que foram vacinadas pela tríplice viral passaram por algum tipo de adoecimento específico que contraindique que você seja vacinado.

Qual a importância de se vacinar?
 

Quando a gente fala sobre vacinação nós não estamos falando apenas de uma pessoa. Se eu me vacino contra o sarampo eu também bloqueio a transmissão para outras pessoas, que é o que a gente chama de imunidade em grupo. Então a gente não vacina a pessoa pensando só no indivíduo, a gente também pensa no coletivo onde esse individuo se insere. Essa é uma das coisas importantes, a pessoa não colabora só com a sua própria saúde, ela colabora com a saúde do coletivo, das pessoas com quem ela trabalha, onde que ela mora. Então a gente está evitando esse tipo de transmissão. 

E no caso do sarampo especificamente, qual a gravidade?

O sarampo é uma doença antiga, mas tem retornado com muitos casos. Ano passado foram milhares de pessoas infectadas. É uma doença que tem que ficar em alerta, principalmente crianças e idosos, que são grupos de risco e pessoas com baixa imunidade, que já tem algum problema respiratório anterior,  são pra nós pessoas que tem o risco de ter o agravamento da doença, uma pneumonia, por exemplo, evoluir para um óbito.

É a forma de você prevenir de fato, a gente não desconsidera as medidas base de higiene diária, que temos que ter independente do sarampo ou não, mas de fato a vacinação é uma forma efetiva de controlar a doença, que foi a forma como a gente conseguiu nos últimos 20 anos antes de 2019.

Não foi porque ela desapareceu espontaneamente, mas foi um esforço da sociedade com a política de vacinação para que se erradicasse esta doença. Não adianta ter o conhecimento da vacina e não se vacinar, não cumprir com um certo dever de contribuir com a imunidade de grupo da população brasileira. Não é só pensando em si, mas pensando no todo que a gente deveria fazer esse processo de vacinação e entender que é importante mesmo. 

Se houver algum sintoma da doença, qual medida tomar?

Sempre procurar o posto de saúde próximo de casa ou local que a pessoa costuma frequentar para que ela seja diagnosticada, inclusive, saber se é um caso de sarampo. A gente faz uma notificação desse caso como profissional de saúde e para receber as devidas orientações de cuidado.

Em caso de persistência de febre, retornar à unidade. Ela precisa realmente procurar um atendimento para ser avaliada e ver se o quadro dessa pessoa e quem é essa pessoa. Vamos supor que é uma criança com menos de um ano ou um idoso, precisa de um maior cuidado.

Ou não se ela não está manifestando um quadro de agravamento do sarampo. Por exemplo, um dos mais comuns é a pneumonia, ela pode ir para casa com as orientações, como se prevenir, evitar contatos mais diretos, que são os moradores da casa, e retornar em caso dos aparecimentos de gravidade.

Só que esse tipo de orientação é o que a gente consegue fazer dentro de uma consulta médica, então por isso que se orienta para a pessoa procurar os serviços para que ela tenho um conhecimento de como é o processo da evolução da doença também.

Edição: Leandro Melito

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